
- Geoglifos são grandes estruturas geométricas construídas por povo antigo.
A expansão de lavouras de cana-de-açúcar no interior do Acre para a produção de álcool combustível ameaça sítios arquológicos de até 2.500 anos descobertos com o desmatamento da floresta amazônica.

Alguns dos chamados geoglifos estão sendo destruídos antes mesmo de serem estudados. Compostos de desenhos geométricos gigantes, estes sítios têm a forma de quadrados, cículos, quadrados dentro de círculos e cículos dentro de quadrados. Já foram descobertos um octógono e dois círculos que formam uma espécie de boneco, com cabeça e tronco.
Embora os primeiros geoglifos tenham sido descobertos há 30 anos, eles jamais foram estudados sistematicamente nem protegidos pelo poder público. Assim, à medida que a floresta ia sendo derrubada a partir do entorno da capital, Rio Branco, os sítios ficaram vulneráveis à ação humana.
Abertura de estradas, pastos, terraplanagens, assentamentos, torres de energia elétrica e atividades agrícolas são algumas ações que provocam a destruição total ou parcial dos geoglifos, que, por causa, do tamanho, só podem ser vistos do alto. No chão suas linhas são vlas comuns, a maioria coberta por vegetação rasteira.
A mais nova ameaça é o plantio de cana-de-açúcar em terras desmatadas do município de Capixaba, a 60 Km de Rio Branco. Já há 1.800 hectares plantados. O plano de expansão do empreendimento Usina Álcool Verde prevê 39,5 mil hectares até 2015, sempre em te
rrenos onde não há mais florestas. Só nessa área há nove geoglifos mapeados.Pesquisadora de geoglifos, a geógrafa Miriam Bueno, do laboratório de Geoprocessamento da Ufac (Universidade Federal do Acre), diz que não é possível saber quantos desenhos já foram destruídos desde as primeiras descobertas, em 1977.
Responsável pelas ações relacionadas ao ambiente do Ministério Público do Estado do Acre, a promotora Meri Cristina Amaral, também ameaça recorer a justiça pela preservação dos geoglifos.
O paleontólogo Alceu Ranzi, da Ufac, afirma que os canaviais respresentam ameaça aos geoglifos, mas que existe a possibilidade de um convívio harmonioso entre a agricultura e os sítios arqueológicos; "cada geoglifo é único e, se destruído, será uma parte do acervo cultural do Acre e da humanidade que ficará empobrecida", afirma.
Já há 140 geoglifos mapeados na região oriental do Acre, principalmente nos corredores da BR-137, no trecho entre Rio Branco e a divisa com o Amazonas, e da BR-364, entre a capital e a fronteira com a Bolívia.

Novas pesquisas devem desvendar algo sobre a origem dos geoglifos. As Universiades de Turku e Helsinque, na Finlândia, mantém convênio de cooperação científica com a Ufac. Amostras de solo de cinco geoglifos foram levados para a Finlândia, onde estão sendo datadas. Acredita-se que, em média, os sítios tenham cerca de mil anos. Já há indicativos de que os mais antigos tenham até 2.500 anos e os mais recentes, 800 anos.
Não se sabe que cultura indígena traçou os desenhos. "Foi um trabalho humano. É obra de gente. Agora, por que? Quando? Quem? São pessoas desconhecidas, que se perderam no tempo, no Brasil, na América do Sul. É algo bem amazônico, uma cultura de terras baixas."
Sua função também é desconhecida. Alguns arqueólogos sugeriram que se tratasse de vestígios de aldeias. Outra hipótese é de que os desenhos sejam símbolos vinculados a rituais religiosos dos antigos acreanos.
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